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sábado, 22 de outubro de 2011

6 Lições que a "Primavera Árabe" nos ensina.

Lição 1: uma única faísca pode incendiar a toda uma pradaria

Afinal, o que incendiou o Norte da África e o Oriente Médio? Um jovem tunisiano de 20 e poucos anos, vendedor de frutas, que pôs fogo no próprio corpo para protestar contra o governo da Tunísia.

Lição 2: a violência é a parteira da história

Apesar das tentativas, essas revoltas não estão sendo pacíficas. No Iêmen, o Presidente quase foi morto por um míssel (que pena que quase). No Egito, Tunísia e Bahrein também ouveram conflitos violentos.

Lição 3: Rebelar-se é justo.

A história da sociedade está marcada de rebeliões, muitas delas com grande influência. As rebeliões de escravos em Roma e no Haiti, a rebelião Protestante contra a Igreja Católica, as revoluções francesa, russa,
chinesa, cubana, etc. E essa rebelião árabe não foiexceção.

Lição 4: o Velho Estado deve ser destruído

Todas as mudanças políticas resultantes dessas revoltas foram mudanças cosméticas. Na Tunísia, só derrubaram o ditador e dissolveram seu Partido. No Egito, o poder passou para as mãos de militares leais a Mubarak. Sem construir um novo poder nas mãos do povo, qualquer mudança será meramente uma máscara na cara do mesmo opressor.

Lição 5: povos precisam de vanguarda.

Os Partidos Comunistas desses países não se posicionaram certo nessa oportunidade. Não se tornaram vanguardas – simplesmente participaram dos protestos. Por isso, as mudanças foram cosméticas. Os Povos do Mundo clamam por uma liderança, uma vanguarda. PRECISAM de uma.

Lição 6: os imperialistas são traiçoeiros.

Vemos Obama, com toda sua canalhice e estupidez, dizer que está ao lado dos manifestantes, que está ao lado da “justiça”, “liberdade”, “democracia” e “paz”. Tsc, Tsc, Tsc...Mentir é uma coisa muito feia, Obama! Todos sabem que os EUA apoiaram esses regimes desde antes de você chegar ao poder.

Você é uma desgraça para o mundo, Obama. Espero que você, o Carter, o assassino Bush e seu filho também assassino Bush Jr e aquele tarado do Clinton afoguem no seu próprio vômito. Todos vocês!

Um caso também curioso é o do Gaddafi. É inegável que este líder esfriou seu discurso contra o imperialismo há algum tempo e que vem mantendo relações cordiais com os EUA e a Europa. Quando a OTAN teve a oportunidade, invadiu o país e matou milhares a sangue frio. Esfaqueou Gaddafi pelas costas...Curiosamente, muitos “rebeldes” já foram ou são da Al-Qaeda. Putz, nem sabia que a guerra ao terror já tinha acabado e que agora há paz entre terroristas e o “mundo livre”.

Não se pode confiar no imperialismo. Deve-se odiá-lo, deve-se atacá-lo, deve-se destruí-lo SEM PIEDADE NEM COMPAIXÃO.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Quem foi Thomas Sankara?


Poucas pessoas da esquerda conhecem Thomas Sankara. Ele, que é considerado o Che Africano por suas semelhanças com o guerrilheiro argentino (desde a boina até o fato de falar francês e a amizade com Fidel) comandou um pequeno país africano por menos de uma década, mas fez ele progredir de forma extremamente rápida.

Em 1983, ele – então um capitão de 33 anos – liderou um golpe popular contra o governo do Alto Volta(antiga colônia francesa) e mudou completamente a política daquele país empobrecido.

A primeira ação foi mudar o nome do país para Burkina Faso (‘’Terra dos Homens Justos’’ na língua local) para tornar o país independente e destruir o odiado passado colonial. Não só isso, mas ainda livrou o país das dívidas e da influência do FMI e do Banco Mundial.

Suas políticas domésticas focaram em evitar a fome com uma reforma agrária com ênfase na autossuficiência, priorização da educação com uma campanha nacional de alfabetização, e promoção da saúde pública ao vacinar milhões de crianças contra doenças como meningite e febre amarela. Ainda fez uma ambiciosa campanha de construção de estradas e trilhas.

 Sankara também fez coisas maravilhosas para as mulheres. Mulheres conseguiram cargos em seu governo, que proibiu a mutilação genital, a poligamia e os casamentos forçados. Fez muito mais: encorajou-as a 
permanecer trabalhando e estudando mesmo se grávidas. Veja o discurso de Sankara sobre as mulheres em espanhol:


Para combater os corruptos, Sankara chegou a instituir tribunais revolucionários e mesmo Comitês de Defesa da Revolução (baseando-se na Revolução Cubana, que ele admirava)

Tais atitudes enfureceram os imperialistas franceses. 4 anos depois de tomar o poder, foi deposto e assassinado em um golpe financiado por um cara pago pela frança que até hoje é presidente do país.
Uma semana antes de morrer, declarou: ‘’você pode matar um revolucionário, mas não pode matar idéias’’.



sábado, 9 de julho de 2011

O imperialismo e a África


No dia 8 de Julho, aproximadamente ás 6 horas da tarde (horário de Brasília), o Sudão do Sul se tornou um novo país após décadas de guerra civil com o Norte. Dificilmente se pode ser otimista em relação a isso.

Como todos os países da África divididos por questões tribais intensificadas por agressões imperialistas, o país nascerá pobre e subdesenvolvido, apesar de rico em recursos.

Além do mais, a história nos mostra que a divisão do continente interessa aos imperialistas. Tomemos o tráfico de diamante na Serra Leoa, por exemplo. O tráfico de diamantes é um negócio lucrativo para o pessoal dos países desenvolvidos: é um metal precioso e resistente que pode ser usada para fazer jóias e trazer lucros para as empresas capitalistas. A Serra Leoa, país do Oeste da África, tem diamantes. Logo possuem a riqueza deste negócio dentro de suas próprias fronteiras.

Só que esta riqueza não vai para o povo da Serra Leoa, e sim para grandes corporações. O resultado desta exploração e investimento estrangeiro direto é um fenômeno chamado de ‘’diamante de sangue’’(2), onde grupos armados lutam pelo controle das minas de diamante e escravizam populações locais (3). As corporações têm pouca motivação para parar a compra dos ‘’diamantes de sangue’’, já que manter as facções em guerra uma com a outra diminui o preço dos diamantes

E o que acontece se um país dá mais participação econômica a seu povo? Países como Angola, Zimbábue e Líbia tentaram fazer isto e a ‘’comunidade internacional’’(quer dizer, EUA e UE) resistiu utilizando-se desde sanções até interferência militar. Não é preciso pesquisar sobre a guerra civil de Angola de 1975-2002 e que deixou 1 milhão de mortos(4). Basta ligar a TV e assistir os bombardeios da OTAN na Líbia.

O próprio Playstation tem sangue contido nele(5). Para que as crianças americanas possam matar alienígenas imaginários no conforto de suas salas, alguém perdeu a vida no mundo real. O Coltan é um minério encontrado na África central e utilizado para fazer laptops, ipods, videogames e até celulares. A maior parte se encontra na República Democrática do Congo, país que foi palco de uma guerra envolvendo Angola, Ruanda, Uganda e outros países vizinhos e deixou 3,8 milhões de pessoas mortas. O mais sangrento conflito da história da África e o pior desde a segunda guerra mundial. Como se não bastasse, o Congo se tornou o país com o maior numero de mulheres estupradas do mundo(6).

É dos interesses imperialistas manter a África desunida, porque assim não vai ser tão trabalhoso se empanturrar com suas riquezas enquanto os povos africanos morrem de guerras, AIDS ou fome.

Notas:
2. – Assista ‘’Diamante de sangue’’: filme com Leonardo Di Caprio e Jennifer Connely.
 3. – Destaque para  a ‘’Frente Revolucionária Unida (FRU)’’ grupo rebelde que aterrorizou o Serra Leoa na década de 90 com mortes, tortura, mutilamentos e estupros.